Como o corte de gás russo afetará o mercado italiano?

Como o corte de gás russo afetará o mercado italiano?

21 de junho de 2022 – Por Renata Bueno

A estatal russa Gazprom reduziu em 50% o fluxo de gás natural para a Itália. O anúncio foi feito na última sexta-feira (17) pela ENI, principal empresa italiana do setor. Esse é o terceiro corte consecutivo promovido por Moscou. Outros países da União Europeia também estão sendo afetados, entre eles Alemanha, Bulgária, Finlândia, Países Baixos, Polônia e França.

Este movimento agressivo de chantagem ao bloco europeu é claramente uma estratégia russa para desestabilizar os países que estão apoiando as tropas ucranianas. Uma tática política para agravar os problemas energéticos na Europa. E o potencial impacto será gigante. Só em 2021, a UE importou da Rússia cerca de 40% do gás que consome – um número bastante expressivo.

Felizmente, a Itália ainda não registrou problemas de abastecimento, já que vem aumentando seus estoques nos últimos meses. Hoje, o país da bota tem uma demanda prevista de 155 milhões de metros cúbicos por dia, com uma oferta disponível de 195 milhões de metros cúbicos.

Contudo, apesar de ainda haver uma luz no fim do túnel, isso não significa que podemos respirar em paz. A longo prazo, pensando principalmente na chegada do próximo inverno, quando a necessidade energética aumenta, o fim do gás russo significaria um período prolongado de inflação e, até mesmo, de queda considerável no PIB. É preciso agir de forma rápida.

Desde que o conflito foi iniciado pela Rússia, em 24 de fevereiro, os europeus vêm vislumbrando acordos para o fornecimento de gás e petróleo com países africanos e do Oriente Médio. Na última semana, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comemorou a assinatura do memorando de entendimento (MoU) firmado com Egito e Israel. Um acordo histórico válido por três anos, com possibilidade de renovação por mais dois.

Mas como tudo isso afetará o mercado de gás europeu e italiano? Teremos que esperar para ver. Enquanto isso, a abertura de novas parcerias representa uma parcela de esperança, solidariedade e estabilidade a todos nós. E quanto antes conseguimos cortar relações com a Rússia, melhor. Por hora, devemos aproveitar o verão europeu para incentivar a utilização de outras fontes de energia, como os painéis solares, em busca da autossustentação energética da Europa.