A voz do Papa Leão XIV ecoa hoje como um dos mais fortes e necessários chamados à consciência global. Em meio ao agravamento dos conflitos armados e ao enfraquecimento das instituições internacionais, sua presença não é apenas simbólica, é um marco diferencial neste momento histórico. Ao denunciar com clareza os “belicistas” e a “diplomacia da força”, o pontífice reposiciona o debate mundial: não se trata apenas de política, mas de um imperativo moral e civilizatório. Sua intervenção resgata o valor do diálogo, da vida humana e do direito internacional em um cenário cada vez mais dominado por interesses geopolíticos e demonstrações de poder.
Mais uma vez, o mundo assiste ao espetáculo trágico da guerra. Conflitos armados multiplicam-se, fronteiras são violadas, civis pagam o preço mais alto e o futuro da humanidade é colocado em risco por decisões que priorizam poder, ego e interesses estratégicos em detrimento da vida. Como advogada internacional e ex-parlamentar italiana, não posso silenciar. A defesa da paz não é opção; é imperativo ético e jurídico. É o único caminho que preserva a dignidade humana.
Desde sua eleição em 2025, o Papa Leão XIV, o primeiro pontífice norte-americano e agostiniano, e tem se posicionado como uma das vozes mais firmes contra os conflitos contemporâneos. Em orações pela paz no Vaticano e em discursos dirigidos a líderes mundiais, ele não hesita em afirmar: “Basta de idolatria do ego e do dinheiro! Basta das demonstrações de força! Basta de guerra! A verdadeira força manifesta-se em servir a vida”.
Leão XIV critica abertamente líderes que utilizam a guerra como instrumento político, alertando que “a guerra voltou a estar na moda” e que o diálogo foi substituído pela imposição da força. Ele chama atenção para o enfraquecimento do multilateralismo e para a violação de um dos princípios mais fundamentais do pós-Segunda Guerra Mundial: a proibição do uso da força para a violação de fronteiras. Ao relembrar o papel da Organização das Nações Unidas, o Papa reforça que sua criação teve como objetivo central preservar a paz, promover a cooperação e proteger os direitos humanos, valores hoje sob ameaça.
Suas palavras não são apenas espirituais. São um alerta concreto diante do risco existencial que as guerras atuais representam para a humanidade.
Eu me identifico profundamente com esse chamado. Ao longo de toda a minha trajetória, como vereadora em Curitiba, primeira brasileira eleita deputada no Parlamento Italiano, advogada internacional e defensora da cidadania italiana no Brasil, sempre priorizei a liberdade, a não-violência e a proteção da vida humana. Na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados italiana, representei a América do Sul com o compromisso de construir pontes, nunca muros. Acredito, com convicção, que o diálogo é a ferramenta mais poderosa da política e do direito. Violência gera apenas mais violência. Guerra não resolve conflitos; ela os multiplica e os perpetua.
Reafirmo, portanto, nosso apoio inabalável à causa da paz e à defesa intransigente dos direitos humanos. Não se trata de neutralidade, mas de posicionamento firme contra qualquer forma de agressão que viole a dignidade humana. O Direito Internacional Humanitário, as Convenções de Genebra e a Carta das Nações Unidas não são apenas textos jurídicos: são o alicerce civilizatório que impede o retorno à barbárie. O enfraquecimento dessas normas abre caminho para a impunidade e o sofrimento.
A trajetória que construí, pautada pela defesa da liberdade sem violência, pela proteção das vidas humanas e pelo primado do diálogo, não é retórica, é prática. Foi ela que orientou minha atuação na aproximação entre Brasil e Itália, na promoção da cidadania como instrumento de inclusão e na defesa de soluções pacíficas para controvérsias internacionais.
Hoje, mais do que nunca, é preciso que líderes políticos, instituições e cidadãos ecoem o apelo do Papa Leão XIV: é tempo de parar. Tempo de dialogar. Tempo de escolher a mediação em vez do confronto, a diplomacia em vez do rearmamento.
Diante do cenário global atual, minha posição é clara: não podemos aceitar a violência como solução. A defesa da vida deve prevalecer sobre interesses políticos, territoriais ou econômicos. É urgente fortalecer as instituições internacionais, valorizar a diplomacia e investir em políticas que promovam a paz.
Mais do que uma posição política, trata-se de um compromisso ético. Apoiar o fim das guerras é defender a humanidade. É reconhecer que cada vida importa, e que o futuro depende das decisões tomadas agora.
A paz não é utopia. É uma construção diária que exige coragem, humildade e compromisso com o multilateralismo. Exige que abandonemos a lógica do confronto e adotemos a lógica da humanidade compartilhada.
Que o exemplo do Papa Leão XIV nos inspire. Que o silêncio diante da guerra dê lugar a uma voz firme e coletiva pela paz. O futuro da humanidade depende disso.



