Receber Estela Sandrini, a querida Teca, em mais um episódio do nosso podcast foi uma experiência profundamente inspiradora. Artista plástica, pintora, escultora e referência na defesa da acessibilidade cultural, ela compartilhou uma trajetória marcada pela sensibilidade, pela resiliência e pela capacidade de transformar desafios em novas possibilidades.
Teca começou a perder a visão já na vida adulta, em um processo que impactou não apenas sua rotina, mas também sua relação com a arte, com o mundo e consigo mesma. A deficiência visual trouxe um novo contexto para sua vida e para sua obra, ampliando sua percepção sobre inclusão e acessibilidade.
“Enxerguei até os 50 anos. Comecei a pintar apenas ao redor dos quadros e percebi que estava perdendo a visão. Perdi 70% da visão de um dia para o outro. Hoje vejo muito pouco. Vejo mais luz do que escuridão. Ela é branca, muito iluminada. A luz me cega mais que o escuro”, relembra.
Sua história nas artes começou ainda na infância, mas foi aos 16 anos que encontrou um grande mestre: Guido Viaro. A convivência com o artista marcou profundamente sua formação e ajudou a definir os caminhos que seguiria ao longo da vida. Em 1967, formou-se pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP) e, posteriormente, aperfeiçoou seus estudos em ateliês na Argentina e nos Estados Unidos.
Ao longo de sua carreira, Teca construiu uma obra que dialoga com as múltiplas experiências femininas. Mulher, mãe de três filhos, artista e profissional, encontrou na arte um espaço para refletir sobre os desafios e as conquistas das mulheres.
“Fui contando a história de nós, mulheres, que temos a jornada dupla, trabalhando em casa e fora. Descobri o sentido do meu trabalho, que é de uma mulher esperando a hora dela”, afirma.
Sua experiência pessoal com a deficiência visual também influenciou diretamente sua atuação institucional. Durante o período em que esteve à frente do Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, Teca trabalhou para ampliar os recursos de acessibilidade, especialmente destinados às pessoas com deficiência visual e baixa visão.
Esse olhar, construído a partir de sua própria vivência, permitiu que milhares de visitantes passassem a experimentar a arte de forma mais inclusiva, acessível e acolhedora em um dos mais importantes museus do Paraná.
Como pessoa com baixa visão, acompanhei com grande admiração o relato de Teca sobre os desafios impostos pela perda da visão e sobre a forma como ela transformou essa experiência em potência criativa, em compromisso social e em legado para a cultura brasileira.
Nossa conversa foi, acima de tudo, um convite à reflexão sobre o papel da arte como instrumento de transformação, pertencimento e cidadania. Teca nos mostra que a acessibilidade não é apenas uma ferramenta de inclusão, mas uma condição essencial para que todos possam participar plenamente da vida cultural.
Convido vocês a acompanharem este episódio especial, que nos inspira a olhar para a arte, para a deficiência e para a diversidade com mais sensibilidade, empatia e compromisso com uma sociedade verdadeiramente acessível para todos.
Acesse meu Canal Brasil-Itália no link: https://open.spotify.com/episode/5rytNCXCoAdY20cj0EgHyN?si=Aq9auohuSaKZrIb8z5u6PQ



