O feminicídio da brasileira Ana Cristina Duarte, ocorrido na Itália em 2024, não é apenas mais um caso. É uma história que carrega dor, silêncio interrompido e, sobretudo, consequências profundas que permanecem especialmente na vida de seus três filhos menores, que presenciaram o crime e hoje vivem em uma comunidade para órfãos.
Recentemente, estive na penúltima audiência do processo contra Ezio Di Levano. Estar ali, mais uma vez, é reviver a dimensão dessa tragédia, mas também reforçar o compromisso que assumi com essa família.
Durante a audiência, ouvimos testemunhas próximas à Ana Cristina. Os relatos foram fortes e confirmaram aquilo que, infelizmente, já se desenhava: ela vivia com medo, em um ambiente de violência constante. Histórias que mostram que os sinais estavam ali e que não podem ser ignorados.
Também acompanhamos o interrogatório do réu. Ele negou tudo. Negou as agressões, negou o sofrimento, negou as evidências. Não houve arrependimento. E, diante disso, fica ainda mais evidente o quanto é essencial dar voz aos fatos, às provas e, principalmente, à memória da vítima.
O que mais me atravessa nesse processo são os filhos. Três crianças que viram o que nenhuma criança deveria ver. Que hoje vivem longe de tudo o que conheciam, tentando reconstruir suas vidas. É por eles também que sigo.
Atuo na defesa dessa família com a certeza de que justiça não é apenas uma sentença. É também garantir proteção, dignidade e futuro para essas crianças. É dar a elas a chance de crescer com cuidado, acolhimento e segurança.
Seguimos agora para a fase final do processo. No dia 15 de abril, o Ministério Público apresentará suas alegações. E, no dia 13 de maio, estarei em plenário mais uma vez, levando a voz dessa família, especialmente da mãe de Ana Cristina. Depois disso, aguardaremos a decisão da Justiça italiana.
Sigo acompanhando cada etapa com responsabilidade, respeito e compromisso.
Não é fácil. Mas é necessário.
Meu trabalho nesse caso é desenvolvido em parceria com a advogada criminalista Francesca Conte, com quem compartilho não apenas a atuação jurídica, mas também o compromisso com a justiça.
Seguimos.



