Vitória feminina na Itália: sobrenomes maternos são reconhecidos pela Corte Italiana

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5 de março de 2022

Mês das mães com boas notícias: a Itália derrubou as normas que priorizavam o sobrenome paterno no registro dos filhos – algo extremamente antiquado para os dias de hoje, podendo ser considerado um ato discriminatório e lesivo para a identidade da criança. A partir de agora, todos poderão receber ambos os sobrenomes, materno e paterno, carregando consigo suas histórias completas.

Mas essa luta não é de hoje. Em 2013, quando entrei no Parlamento Italiano, participei de associações de mulheres que lutavam pela inclusão materna no nome dos filhos e, em 2017, fui coautora de um projeto de lei* pedindo alterações no código civil para atribuição do sobrenome dos filhos. Um movimento que vem ganhando cada vez mais força e chega agora em uma feliz resolução. E se na época, como feminista, eu já era de acordo com essa alteração das normas, hoje, como mãe de um menino ítalo-brasileiro, sinto na pele essa vitória.

Nosso nome é nossa identidade social. Por isso, a decisão da Corte Constitucional da Itália representa um avanço histórico para os direitos civis na Itália. Uma conquista feminina de estar e se sentir presente na vida do filho. Um reconhecimento do papel da mãe, não apenas no desenvolvimento de um ser humano, mas em toda a sociedade italiana.

É uma grande satisfação ver o meu filho – e os filhos e filhas de todas as outras italianas e descendentes – carregando em seus nomes a representação das suas duas famílias. Além disso, é importante que as crianças percebam que as mulheres devem ser tratadas em condições de igualdade com os homens. Com certeza, damos mais um passo em direção a uma efetiva igualdade de gênero no âmbito da família.

*”Modifiche al codice civile e altre disposizioni in materia di attribuzione del cognome ai figli”, 4772 (https://www.camera.it/leg17/126?tab=1&leg=17&idDocumento=4772&sede=&tipo=).

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