Um ano do feminicídio de Ana Cristina! Justiça ainda não avançou e filhos permanecem afastados da família materna

No dia 7 de setembro, completamos um ano do brutal feminicídio da brasileira Ana Cristina Duarte, de 38 anos, assassinada com cinco facadas pelo marido, o italiano Ezio Di Levrano, diante de seus três filhos, na cidade de Pesaro, região das Marcas, na Itália. Este crime chocante ocorreu apenas quatro dias após Ana Cristina deixar a residência conjugal e iniciar o processo de divórcio, motivado por mais um episódio de violência doméstica.

Natural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (RJ), Ana Cristina conheceu Ezio no Brasil há cerca de 15 anos. Após ficar grávida, casou-se e se mudou para a Itália, enfrentando dificuldades desde o início: Ezio foi preso por tráfico de drogas durante a sua primeira gestação, deixando-a sozinha na Europa. Ao longo dos anos, Ana Cristina se tornou vítima recorrente de violência doméstica. Em 2023, denunciou o marido, mas retirou a denúncia por medo de deixar os filhos – hoje com 6, 12 e 14 anos – sem proteção.

Infelizmente, Ana Cristina foi assassinada enquanto voltava para a residência para ver os filhos, em um ato de extrema violência que abalou profundamente a comunidade local.

O andamento da justiça italiana

Em julho de 2025, participei da audiência em Pesaro que marcou a abertura oficial do processo penal contra Ezio Di Levrano. Porém, até agora, os avanços têm sido lentos, e a justiça italiana ainda não apresentou desenvolvimentos significativos no caso. A demora mantém os três filhos em uma instituição protegida, sem contato com a família materna, incluindo a avó, que luta pela guarda dos menores.

Como advogada da família, estou trabalhando incansavelmente para garantir que os direitos da avó e, sobretudo, dos filhos de Ana Cristina sejam plenamente protegidos pelo sistema judiciário italiano. O objetivo principal é assegurar justiça para Ana Cristina e proteção integral aos menores, que se encontram em situação de vulnerabilidade emocional e social.

Ao final do processo, a justiça italiana decidirá se os filhos serão entregues à família materna no Brasil, colocados para adoção ou mantidos na instituição, levando em consideração a vontade das próprias crianças.

Missa em memória de Ana Cristina

No dia 5 de setembro, familiares, amigos e membros da comunidade celebrarão uma missa em memória de Ana Cristina na igreja de Lucrezia, em Pesaro. Estarei presente, reafirmando meu compromisso na luta por justiça e na proteção dos filhos de Ana Cristina.

Apelo à Justiça

Faço um apelo às autoridades italianas para que o processo judicial seja conduzido com maior celeridade. A lentidão do sistema judicial prolonga o sofrimento dos menores e impede o contato essencial com a família materna, que é fundamental para a recuperação emocional das crianças.

É nosso dever garantir que casos de violência doméstica e feminicídio não fiquem sem resposta, e que os direitos das vítimas e de suas famílias sejam respeitados.

Mais Posts