
Luiz Raatz, O Estado de S.Paulo
03 Março 2018 | 05h00
O Parlamento italiano que se renova neste domingo em eleições gerais destina seis assentos – quatro na Câmara e dois ao Senado – para representar cidadãos italianos que vivem na América do Sul. Desde 2001, quando essas vagas foram abertas, o Brasil é segundo é maior colégio eleitoral do continente, apenas atrás da Argentina. Uma das características da campanha deste ano, que acabou na quinta-feira, foi uma mistura da atual polarização da política brasileira com a italiana, principalmente nas redes sociais.

O deputado Fabio Porta, do Partido Democrático (PD), no cargo desde 2008, tenta agora uma vaga no Senado. Ele conta que ao longo da campanha chegou a ser alvo de críticas, muitas vezes vinculando-o ao PT brasileiro.
“Fui alvos de ataques pesados e muitas vezes anônimos misturando a política brasileira à italiana”, disse ao Estado. “No meu caso, associaram o PD ao PT aproveitando a oposição (ao PT) dentro de parte da comunidade italiana. Mas a esquerda europeia é muito diferente em propostas e conceitos da esquerda latino-americana.”
Natural de Curitiba, a deputada Renata Bueno é a primeira cidadã italiana nascida no Brasil a chegar ao Parlamento italiano. Ela concorda que na eleição deste ano a política brasileira se misturou um pouco com a italiana e atribui isso à grande quantidade de novatos em busca de um assento no Parlamento italiano.
“Eu acho que isso se deve em parte à presença de muitos candidatos novos que não conhecem muito a fundo a política italiana”, disse a deputada.
No total, 24 candidatos são brasileiros ou moram no País. Como a Argentina é o maior colégio eleitoral, com mais de 700 mil eleitores, a maior parte dos candidatos eleitos acaba vindo do país vizinho. Na legislatura atual, três brasileiros estão no Palácio de Montecitorio: além de Porta e Renata, o senador Fausto Longo tenta a reeleição.
Os outros dois maiores colégios eleitorais do continente são Venezuela e Uruguai. No caso do primeiro país, a crise econômica e humanitária foi bastante debatida na campanha.
“Tentamos muito resolver problemas práticos da nossa comunidade lá na Venezuela, como levantar a questão (da crise) junto ao Parlamento”, acrescentou Porta.
Os parlamentares que representam os italianos na América do Sul têm os mesmos direitos e deveres dos congressistas que representam regiões dentro da Itália, além de uma ajuda de custo com passagens aéreas. A distância, no entanto, faz com que o retorno às bases eleitorais varie entre uma e duas vezes por mês.
A partir deste ano, a campanha na Itália, deixou de ser financiada publicamente e agora é bancada de forma privada. Os partidos repassam os recursos de pessoas físicas e jurídicas para os candidatos, com um limite máximo de 75 mil euros por deputado e as contas são prestadas posteriormente.



