Neofascismo no poder: Por que a extrema-direita venceu as eleições na Itália?

*Por Renata Bueno

03/10/2022 – Passados muitos anos da centro-esquerda no poder, a Itália votou no último domingo (25) por uma coalizão de extrema-direita encabeçada pelo partido Fratelli d’Italia (Irmãos da Itália), da nova primeira-ministra Giorgia Meloni. A aliança também terá maioria no Senado, com 115 cadeiras de 200. O resultado das eleições assustou o mundo inteiro, mas o que essa grande mudança de posicionamento político pode representar para a Itália e toda a União Europeia?

Está claro o desejo dos italianos por um governo com potencial de conduzir o país sozinho. A centro-esquerda, que teve a maioria dos votos nas últimas eleições, infelizmente não foi capaz de formar uma aliança forte o suficiente para estar à frente das principais decisões políticas – por diversas vezes vimos governos serem desmanchados para a criação de novos, como foi o caso do governo técnico de Mário Draghi.

Essa sequência de crises de gestão fez crescer a sede do povo em concentrar votos para eleger um governo forte e capaz de governar sozinho. Contudo, Meloni sempre teve uma posição antieuropeísta, ou seja, que se opõe à unificação política da Europa – e esse é o ponto mais preocupante de sua vitória, inclusive devido ao seu histórico discurso anti-imigração.

Mas não é o momento de ser pessimista. Afinal, analisando as atitudes recentes da nova premiê, é possível notar que ela chega ao poder de maneira um pouco mais neutralizada, já em diálogo com Mario Draghi e mais aberta a uma transição de governo amigável, dando sequência às decisões já destinados ao PNRR, plano de ação de recursos que a UE está enviando para a Itália.

Ainda assim, precisamos estar preparados caso atrás da pele de cordeiro de Meloni exista um lobo – neste caso, uma loba. Segundo todos os analistas, o perfil dos futuros ministros das Finanças e das Relações Exteriores será um indicador crucial da atitude de Meloni em relação à Europa. Agora, nos resta acompanhar ativamente o governo para ver se a aliança vai render ou, mais uma vez, se dissolver.

As eleições contaram também com votos de brasileiros com dupla cidadania, que tiveram a oportunidade de eleger dois deputados e um senador no colégio da América do Sul. Neste pleito, fui a deputada mais votada, com 25 mil votos – um número histórico nas eleições italianas, mas infelizmente por questões de legenda partidária, o Brasil não conquistou a representatividade.

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