EXTRADIÇÃO DE PIZZOLATO É UMA AULA DE CIVILIZAÇÃO JURÍDICA PARA O BRASIL

 

ROMA- 24 DE ABRIL – “Não posso esconder minha satisfação com a decisão do Ministro da Justiça italiano, Andrea Orlando, que concedeu a extradição a Henrique Pizzolato. Fui a única parlamentar que soube explicar de forma completa e detalhada as razões pelas quais a Itália, berço do Direito, não poderia negar ao estado brasileiro o direito de ver o próprio condenado cumprir a justa pena nas prisões do País”. Este foi o primeiro comentário da deputada italiana Renata Bueno ao tomar conhecimento da decisão.

O caso de Henrique Pizzolato, um dos protagonistas do escândalo “mensalão”, o maior caso de corrupção descoberto no Brasil nestes últimos anos, que envolveu muitas pessoalidades da política e da finança brasileira, teve hoje seu epílogo.

Logo após sua fuga, em novembro de 2013, e as primeiras notícias de que ele poderia estar escondido no país, a parlamentar ítalo-brasileira procurou as autoridades policiais italianas e a Interpol para pedir empenho nas buscas do condenado no processo do mensalão. O ex-diretor de marketing do Banco do Brasil acabou sendo preso no dia 05 de fevereiro de 2014 da cidade de Maranello (a 322 km de Roma), no norte da Itália, mas a extradição requerida pelo governo brasileiro foi negada..

A deputada se declarou a favor da extradição por duas razões. Primeiramente, Pizzolato não poderia usar a dupla cidadania para se esquivar da Justiça, ofendendo toda a numerosa comunidade ítalo-brasileira. Além disso, negar a extradição a Pizzolato significava dar um duro golpe à batalha que o Brasil tem feito contra a corrupção, que tantos danos criou ao bem-estar de todo o País- conforme denunciam as manifestações de protesto de grande parte da população.

Em fevereiro a Corte Suprema anulou a sentença do tribunal de Modena e declarou a legitimidade da extradição de Pizzolato, conferindo a decisão final ao governo. Algumas semana atrás, 21 senadores assinaram um documento contrário à extradição, fundamentado na tese de que os direitos humanos seriam violados nas prisões brasileiras. Essa tese foi imediatamente desmentida pela deputada Bueno que, pessoalmente e com um dossier, ilustrou a situação ao Ministro da Justiça italiano.

“O Ministro Orlando- acrescenta a Bueno- será visto como um herói pelo povo brasileiro. De minha parte expressarei pessoalmente ao Ministro minha gratidão pela sua fundamental contribuição à guerra em nome da legalidade que o Brasil empreendeu. Não era uma decisão simples: por um lado as pressões de tantos meus colegas, por outro lado a tentação de pagar com a mesma moeda o País que, com um relevante erro de avaliação, tinha na época negado a extradição ao assassino Cesare Battisti. Com este ato de suma civilização jurídica, a Itália volta a ser o País amigo que tanto significou na história e que tanto mais representará no futuro do Brasil”.

Confira minha entrevista na Globo:
http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-hoje/t/edicoes/v/governo-italiano-autoriza-extradicao-de-henrique-pizzolato/4133233/

 

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